domingo, 27 de janeiro de 2013

MULHERES NA POLÍTICA



Quando uma mulher entra na política, muda a mulher... ...quando muitas  mulheres entram na política, muda a política. Michelle Bachelet
(presidenta do Chile)

26/1/2013 

Mulheres avançam no exercício do poder

Houve crescimento da participação feminina nas prefeituras e Câmaras municipais. De 5.564 prefeitos, 666 são mulheres. Em Goiás, 25 prefeitas entre 246 municípios; em 2008, presença feminina existia em 20 cidades


Apesar de a sociedade ainda ser culturalmente machista, o que se reflete em todos os setores, tanto em nível pessoal e profissional, na política as mulheres rompem as barreiras e os preconceitos e avançam na ocupação do poder.
Ao acompanhar as últimas eleições no País e em Goiás, constata-se que a cultura machista impera de forma contundente, dentro e forma dos partidos.
Mesmo com a lei das cotas de 30%, as mulheres continuam sem ocupar os espaços políticos, ora por que os partidos não possibilitam suas candidaturas, ora por falta de apoio familiar, entre outros motivos.
Basta verificar as estatísticas que mostram o Brasil na 104ª posição, no ranking mundial, de mulheres que ocupam cargos públicos, o que leva a 8,8% de mulheres na política.
 Em um País onde as mulheres são as mais qualificadas em termos de estudos, são chefes de família e ocupam cargos de direção nas empresas, fica a indagação por sua ausência na ocupação nos cargos no Executivo e Legislativo.
Nas últimas eleições municipais, poucas mulheres concorreram às Câmaras municipais e muitos partidos não cumpriram a cota de 30%, ficando sem candidatas.
 Por outro lado, as mulheres participam ativamente da vida política do País, por meio de movimentos sociais, sindicatos, associações de moradores, entre outros. No entanto, na vida partidária, são poucas as mulheres que se dispõem a atuar, o que se torna uma contradição visto que reúnem condições para propor políticas públicas que melhorem a vida da população dado à inserção que elas tem em todos os setores da sociedade.
A eleição da economista Dilma Rousseff para a Presidência da República, em 2010, contribui para romper barreiras, eliminar estigmas e quebrar paradigmas, em relação à atuação da mulher nos diversos escalões do poder, seja no Executivo, seja no Legislativo.
Setenta e dois por cento (72%) dos políticos que concorreram às eleições de prefeito e vereador em Goiás, ano passado, são homens. Apenas 22% se tratavam de mulheres, bem inferior ao que determina a Legislação Eleitoral, ou seja, o de 30%.
 25 prefeitas 
goianas
Mulheres eleitas este ano em Goiás são 25% a mais do que em 2008 para cargos majoritários nos municípios, ou seja, para prefeito. “Goiás viveu em 7 de outubro do ano passado  um dia histórico na mudança de paradigma eleitoral”, ressalta a professora Selma Bastos (PT), de 46 anos, a primeira mulher eleita para o cargo de prefeito na antiga Capital goiana, Goiás.
Selma Bastos é uma entre as 25 mulheres que foram eleitas para administrar municípios de Goiás. Houve crescimento de 25% quando comparado à eleição de 2008, na qual 20 candidatas chegaram às prefeituras, todas elas no interior.
Mesmo com o aumento de 20 para 25 mulheres, a porcentagem ainda fica bem abaixo da registrada no Brasil este ano. Enquanto 12,03% dos prefeitos eleitos no primeiro turno em 2012 são do sexo feminino – crescimento de 31,5% para 2008 –, em Goiás esse porcentual é de 10,16%.
Selma comemora o fato de o PT chegar pela primeira vez no poder na Cidade de Goiás. Ela concorreu com o candidato apoiado pelo prefeito Márcio Ramos Caiado (PP), Gustavo Izac (PSDB), e recebeu 8.477 dos votos (53,26%).
“A família Caiado tem história política em Goiás nesses 285 anos, mas a atual gestão na prefeitura deixou muito a desejar”, declarou a professora Selma. É a segunda vez que ela disputa o cargo. A petista foi também a primeira candidata mulher do município em 2008.
Outra educadora a se tornar a primeira mulher eleita é a professora Adailza Crepaldi (PSC), de 43 anos, que já havia sido eleita vereadora de São Miguel do Araguaia em 2004 e 2008. Ela disse acreditar que o “dom” que tem para lidar com as pessoas foi importante na escolha da população do município. “Fiz uma campanha franciscana, sem muitos recursos”, declarou Adailza Crepaldi.
 Para a senadora Lúcia Vânia (PSDB), o crescimento da participação da mulher na política se dá por três fatores: valorização do papel da mulher com uma presidenta do sexo feminino, a Lei 9.504/1997, que exige mínimo de 30% de candidatas por partido e o perfil “mais espontâneo e próximo” das demandas da população. “As mulheres não são como os políticos de carreira, elas agem com transparência e discursam sobre temas do cotidiano. Não tratam a política como algo distante da realidade do eleitor”, apontou a senadora.
 As prefeitas:  Cida Furtado (PSDB), em Aurilândia; Cristina Beatriz Moura (PSDB), em Bonópolis; Maria Aparecida Costa (PSD), em Buritinópolis; Maria Inés (PT), em Ceres; Gisele Araújo (PTB), em Cidade Ocidental; Andréia Lins Depollo (PDT), em Damianópolis; Selma Bastos (PT) em Goiás; Ana Maria Ferreira (PSD), em Guarinos; Daniela Vaz Carneiro (PSDB), em Ipameri.
Zélia Camelo Oliveira (PP), em Itapirapuã; Tatiana Castro(PSB), em Jussara; Rosana Balestra Silva (PP), em Mimoso de Goiás; Suely Cruvinel (PTC), em Montividiu; Divina Lúcia Dias (PP), em Mossâmedes; Núbia Marques Costa (PMDB), em Mutunópolis; Gleiva Gomes (PP), em Nova Crixás; Mírian São José (PSDB), em Nova Roma.
Leila Silva César (PSDB), em Santa Rosa; Mariza Oliviera Costa (PTB), em Santa Tereza de Goiás; Mércia Tatico (PTB), em São Luis de Montes Belos; Adailza Crepaldi (PSC), em São Miguel do Araguaia; Dourinha (PMDB), em Sítio D'Abadia; Solange (PMDB), em Uruaçu; Lucimar Nascimento (PT), em Valparaíso; Juliana Rassi Dourado, em Varjão.
Parlamentos goianos
      Dos três senadores goianos, há uma mulher: Lúcia Vânia (PSDB), que iniciou o segundo mandato, fato inédito da política do Estado.
Dos 17 membros da Bancada Federal de Goiás, apenas três mulheres: Iris Araújo (PMDB), Flávia Morais (PDT) e Marina Sant'Anna (PT).
Dos 41 deputados estaduais, apenas três mulheres: Isaura Lemos (PCdoB), Sônia Chaves (PSDB) e Gracilene Batista (PTB). Na Legislatura passada, haviam oito parlamentares-mulheres.
Dos 35 vereadores de Goiânia, quatro mulheres: Célia Valadão (PMDB), Cida Garcêz (PV), Drª Cristina (PSDB) e Tatiana Lemos (PCdoB).
Dos 25 vereadores de Aparecida de Goiânia, uma única mulher: delegada Cybelle (PSDB)
Dos 23 vereadores de Anápolis, três mulheres: drª Dinamélia Rabelo (PT), Geli Santos (PT) e Míriam Garcia (PSDB).
Poucas representantes no 1º escalão do Estado e nas principais prefeituras
A participação da mulher no primeiro escalão do governo Marconi não é expressiva. Levantamento mostra a participação feminina nos seguintes cargos: Valéria Perillo, primeira-dama, presidenta da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG). Glória Coelho, secretária particular do governador; Gláucia Maria Teodoro Reis, secretária de Políticas Públicas para as Mulheres e Promoção da Igualdade Racial; Marlene Alves Vieira, preside a GoiasPrev; e Maria Zaira Turchi preside a Fundação de Amparo à Pesquisa de Goiás (Fapes).
 Nas assessorias especiais, cargos de segundo escalão, estão: Rosemary Valle, Cilene Guimarães e Lamis Cosac, estas duas últimas ex-deputadas estaduais. A superintendente de Relações Públicas da Governadoria, cargo de segundo escalão, é Maria Emília Godoy.
Deixaram os cargos no governo estadual: Adriana Accorsi, que ocupou a diretoria-geral da Polícia Civil (PC) e Eliane Pinheiro, que exerceu a chefia de Gabinete do governador.
PREFEITURAS
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT) é o que mais nomeou mulheres, no primeiro escalão. Dos 45 cargos, a presenças de 10 representantes femininas: Neyde Aparecida (Educação); Teresa Cristina Sousa (Políticas Públicas para as Mulheres; Adriana Accorsi (Defesa Social); Ana Rita Castro (Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial) e Cidinha Siqueira (Políticas Públicas para as Pessoas com Deficiência ou Mobilidade Reduzida).
Galcy Antunes Oliveira (Cultura), Maristela Bueno (Assistência Social), Patrícia Veras (Trânsito e Transportes), Mônica Lagares (Extraordinária) e Cristina Laval (Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores).
Dos 25 cargos do primeiro escalão do prefeito Maguito Vilela, em Aparecida de Goiânia, apenas duas mulheres: Carmem Sílvia Oliveira, primeira-dama, é a secretária de Assistência Social; e Valéria Pettersen ocupa a pasta de Elaboração de Projetos e Captação de Recursos.
Dos 25 cargos do primeiro escalão do prefeito Antônio Gomide, em Anápolis, apenas duas mulheres: Luzia Silva Menezes, Secretaria de Gestão de Recursos Humanos e Virgínia Pereira Melo na Secretaria de Educação.
Aumenta número de prefeitas no País
Apesar de ter decrescido  o número de mulheres  prefeitas em capitais, a quantidade de vitoriosas em 2012 aumentou em todo o País mais de 31,6% em relação a 2008, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O percentual de candidatas também aumentou, crescendo 21,3% neste ano, em relação a 2008.
Em 2012, as mulheres conquistaram 666 prefeituras. Em 2008, terminado a primeira etapa da eleição, haviam sido eleitas 506 prefeitas.
Foi a primeira eleição municipal com a vigência da Lei nº 12.034/2009, que estabelece que cada partido ou coligação deve preencher o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo.
O Estado com maior número de prefeituras comandadas por mulheres é Minas Gerais, com 71 eleitas, seguido por São Paulo, com 69; Bahia (64); Paraíba (49); Maranhão (41); Goiás (25) e Mato Grosso (18).
O Acre foi o único Estado que não elegeu representantes do sexo feminino para o cargo de prefeito.
O ano de 2012 marca o aniversário dos 80 anos do direito de voto feminino no Brasil e as eleições de 7 de outubro possibilitaram um pequeno aumento do número de mulheres eleitas para as Câmaras Municipais e um aumento maior para as Prefeituras. Mas o avanço tem sido pequeno e o País ainda continua muito longe da paridade de gênero na política (50%/50%).
Foram eleitas, ano passado, menos de 4 mil vereadoras nos municípios brasileiros em 1992, representando apenas 7,4% do total de vagas nas representações municipais de todo o País.
Com a introdução da primeira política de cotas, em 1995, os resultados apareceram nas eleições seguintes. O número de mulheres eleitas passou para 6,5 mil vereadoras, representando 11,1%, em 1996. Foi o maior salto ocorrido entre duas eleições na história brasileira.
Nas eleições seguintes, em 2000, o número de mulheres eleitas chegou a 7 mil vereadoras, representando 11,6%.
Em 2004, houve uma redução no número geral de vagas de vereadores e o número de mulheres eleitas para as Câmaras Municipais decresceu para 6.555 vereadoras, mas houve um aumento do percentual, que foi para 12,7%.
Nas eleições de 2008, houve uma pequena redução no número absoluto e no percentual de eleitas, pois 6.504 mulheres conquistaram vagas de vereadoras, representando 12,5% do total no País.
Nas eleições de 2012, o número de mulheres eleitas chegou a 7.648 vereadoras, representando 13,3% do total de vagas. Estes números, embora baixos, são recordes na história brasileira.

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